
Cada dia
mais, aumenta o número de
celebridades que confessam ter
deixado de consumir todo
alimento de origem animal. É
gente que não só aboliu carnes
de todos os tipos do cardápio
diário como também recusa ovos,
leites e derivados, o que inclui
por exemplo queijos, bolos,
massas tradicionais e a maioria
dos molhos. A comediante e
apresentadora Ellen Degeneres e
sua mulher, a atriz Portia de
Rossi, lideram o movimento: as
duas — que formam a mais
poderosa dupla homossexual
americana — lançaram um blog
dedicado ao tema (vegan.ellen.warnerbros.com/blog),
anunciaram a abertura de um
restaurante vegan em Los Angeles
e ainda preparam o lançamento de
uma linha de produtos para
animais domésticos, a fim de que
cães e gatos possam compartilhar
desta onda.
Atores e comediantes como Allec
Baldwin, Woody Harrelson e
Russell Brand já defenderam
publicamente a nova dieta, que
tem efeitos emagrecedores
impressionantes. O ex-campeão
mundial de boxe Mike Tyson
voltou à boa forma, depois de um
período tumultuado em função de
um divórcio litigioso, por causa
da alimentação vegan. No
octógono do MMA, aliás, o
lutador do Ultimate Fighting
Championship (UFC) Mac Danzig é
outro exemplo da combinação de
um corpo atlético e alto
rendimento físico na modalidade
de luta, graças a uma dieta
vegetariana radical, sem
produtos de origem animal.
Nem políticos escapam. O
ex-presidente Bill Clinton
surpreendeu seus médicos com um
emagrecimento radical, graças a
um cardápio diário rigorosamente
livre de derivados de animais.
Clinton circula agora
acompanhado por dietistas, que
controlam suas refeições. O
ex-presidente segue também um
programa de exercícios feito
especialmente para quem faz a
dieta. Isto porque, nas
academias americanas, a
combinação entre dieta vegan e
exercícios de musculação já é a
receita mais procurada por quem
quer emagrecer e esculpir o
corpo.
A nova onda ganhou impulso por
causa de documentários como "Meet
your meat" ("Conheça a sua
carne", dirigido por Bruce
Friedrich e narrado por Alec
Baldwin), que mostra o modo
cruel como animais são tratados
nos abatedouros, além de fazer
um
alerta sobre a quantidade de
hormônios e antibióticos usados
em criadouros, para fazer com
que os animais ganhem peso e
possam ser abatidos em prazo
mais curto. Por isso, os
defensores da dieta desfiam
motivos ideológicos para seguir
o novo cardápio.
No Brasil, Bianca Turano,
coordenadora do Grupo Rio da
Sociedade Vegetariana
Brasileira, explica que, em
função da ideologia dos direitos
dos animais, os 'veganos' (na
forma aportuguesada) adotam
dieta vegetariana radical, mas
existem vegetarianos que ainda
consomem ovos e leite:
— O movimento está crescendo
muito no Brasil, em todas as
idades e classes sociais. Muitas
empresas perceberam isso e já
oferecem produtos
industrializados com selo vegan.
No Rio, quem quer comer
alimentos livres de qualquer
ingrediente de origem animal tem
boas opções, mas também uma
tarefa, segundo Bianca.
— O vegetariano radical é aquele
que sempre lê embalagens,
analisa os rótulos e informa-se,
nos restaurantes, sobre as
receitas servidas.
Restaurantes como o Tempeh, no
Centro; o Refeitório Orgânico,
em Botafogo; o Biocarioca, em
Copacabana; o Vegan Vegan, em
Botafogo; e o Vegetariano Social
Clube, no Leblon, são locais
onde é possível encontrar boa
variedade de alimentos com
estas características. A
desenhista Rosa Mubarak, de 58
anos, é vegan há mais de 20
anos. Parou de consumir carne
vermelha em 1974, e deixou de
comer ovo em 1988.
— Quando comia proteína animal,
eu me sentia mal, ficava
deprimida, tinha dor de barriga.
Por isso, resolvi parar de comer
todo tipo de carne, e mesmo
peixe. Eu sentia mais prazer
quando ingeria cereais — lembra
ela — Quando você para de comer
carne, ajuda o mundo.
Para manter este bem-estar, Rosa
tem muito trabalho: leva comida
aos locais aonde vai e sabe que
terá dificuldades de
achar restaurantes em viagem. E
conta que sempre pesquisa por
opções de restaurantes vegan,
antes de embarcar:
— Na Itália, eu passei o maior
aperto. Quase não tinha opções
de restaurantes. Do ponto de
vista social, a dieta é um
transtorno. É mesmo difícil
encontrar amigos que aceitem um
cardápio tão radical, e evitar
encontros em churrascos,
pizzarias etc...
— Os amigos já sabem. Lá em casa
não entra nada de origem animal.
E perguntam se podem levar um
sanduíche, mas sabem que eu sou
brigona — brinca.
Do ponto de vista da saúde, os
médicos alertam que é preciso
substituir muitos dos nutrientes
que são providos por carnes e
derivados de leite, como ferro e
vitamina B12.
— Não basta cortar proteína
animal, tem que fazer uma
compensação equilibrada, com
inclusão adequada de grãos,
leguminosas e vegetais — ensina
a nutricionista funcional
Luciana Harfenist.


