Colunista: Ivana Maria
UMA
CEIA DE NATAL DIFERENTE

Como acontecia todos os anos, às
vésperas do Natal, os animais da fazenda
ficavam aflitos esperando para ver quem
seria a próxima vítima.
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O
pato viraria pato-no-tucupi? Ou
a dona galinha, separada dos
seus pintinhos, seria servida ao
molho pardo? Ou o pobre carneiro
se transformaria em antepasto?
Ou seria o boi que viraria filé
ou medalhão ao molho madeira na
ceia daquele ano?
O porco tremia todo e soluçava:
- “Buá! Não quero virar
presunto, salsicha, pernil,
torresminho, e nem bacon!” |
E o peru,
coitado, era quase certo que se elegeria
o prato principal, no centro da mesa,
com a barriga recheada de farofa. Era o
que mais tinha medo nesses dias, e
choramingava como um bebê, sem se
conformar com a triste sorte.
- “Por que os humanos comemoram o Natal
desse jeito? Somos inofensivos, não
fazemos mal a ninguém. Só queremos
viver!
O Menino da manjedoura, o aniversariante
desse dia, certamente não gostaria de
ser festejado com mortes, já que
aniversário é uma celebração da Vida.”
Sossegados mesmo, só estavam o cão, o
gato, e o papagaio da fazenda. Com eles
a coisa era diferente. Tinham lugar para
dormir, comida gostosa e carinho. Não
precisavam ter pesadelos com a
cozinheira e suas horríveis panelas.
- “Isso é discriminação!”, coaxou o sapo
na lagoa. “Para uns carinho e para
outros a panela? Protestemos! Vamos ver
o que dizem as leis dos direitos dos
animais!”
- “Eu também gosto de carinho”, disse
lacrimejando o carneirinho. “Por que
ninguém me faz um afago?”
Todos os animais estavam unidos nessa
hora tentando entender o comportamento
dos humanos. A lei dos direitos dos
animais valia só para os animais de
estimação. Que pena...
Mas naquele ano, tudo seria diferente!!!
Eles nem imaginavam que Matheus, um
menino vegetariano de 11 anos, vinha
passar o Natal na fazenda e mudaria para
sempre aquela tradição medonha.
Matheus era um garoto muito esperto,
inteligente e de bondoso coração. Tinha
um cachorro e vários gatos. Amava todos
os bichos e não se conformava com o fato
de as pessoas dizerem amar os animais,
mas devoravam seus corpinhos nas
refeições.
Não querendo mais compartilhar desse
ritual horroroso, resolveu se alimentar
apenas de frutas, legumes, verduras e
grãos. Havia tanta fartura de alimentos
nesse mundo! Não achava necessário
aquela matança inútil. Era só uma
tradição boba que podia ser mudada.
Assim que chegou na fazenda, contou aos
primos do sofrimento dos bichinhos até
chegar à mesa sob a forma de comida.
Falou da indústria da carne, uma das
mais cruéis, da aflição que os animais
sentiam ao subir os degraus do
matadouro, e do triste fim que era dado
a eles.
Todos se surpreenderam com tudo o que
Matheus contou e derramaram lágrimas com
ele. Nunca haviam pensado nisso, e agora
alguém os alertava para a injustiça
dessa tradição milenar, que era passada
de geração em geração.
Resolveram que naquele ano o Natal seria
diferente.
Comunicaram aos pais, tios, primos, avós
e amigos, que eles mesmos iriam preparar
a ceia e que todos aguardassem a grande
surpresa.
Cochichos de lá, segredos de cá, e a
véspera de Natal estava chegando.
Enquanto isso, os animaizinhos, em
polvorosa, estavam com muito medo do
destino que os aguardava.
Mas qual não foi a alegria deles quando
as crianças contaram o grande segredo!
Todo mundo sabe que crianças e animais
conseguem se comunicar, mas muitos
adultos não compreendem e por isso
ignoram.
O Natal daquela família se transformou
no melhor Natal de suas vidas.
Todo mundo reunido em volta de uma mesa
colorida, de pratos leves, saudáveis, e
o melhor de tudo: sem mortes!!! Aquilo
sim era um Natal de Paz e de Amor!
Mariana preparou uma bela macarronada
com suculento molho de tomates.
Edu fez várias pizzas vegetarianas de
dar água na boca.
Clara sabia fazer saladas e molhos muito
bem. E a Talita preparou o que mais
gostava: batatas fritas pra todo mundo!
Sem contar que Mikaela trouxe
salgadinhos de soja pra ninguém botar
defeito. Uma delícia!!! Quibes,
coxinhas, esfirras, empadinhas, tudo a
base de vegetais!
E as sobremesas? Pavês, compotas de
frutas, pudins, sorvetes e um pratão de
brigadeiros para completar.
Só sei que a ceia ficou deliciosa, e
todos se deliciaram com as gostosuras. E
certamente o Menino Jesus abençoou
aquela família e os animaizinhos tiveram
pela primeira vez, em séculos, um Natal
de PAZ! Céu e terra estavam em comunhão
porque havia harmonia entre todas as
criaturas que dividiam um lugarzinho na
Terra.
Era o início de uma nova Era de PAZ,
AMOR e FRATERNIDADE.
Feliz NATAL VEGETARIANO para
todos vocês!!!
publicado no Vida Vegetariana em
dezembro de 2007
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