10/03/2008
- 08h29 / por Agência EFE
Canadá modificará caça de focas para reduzir crueldades

O Governo canadense
anunciou hoje(10/03/2008) que estabelecerá novas medidas
para que a caça de focas seja menos cruel e evitar que
os países europeus imponham o embargo à importação de
peles desses animais.
As autoridades canadenses também informaram que este ano
será permitida a caça de 275 mil focas harpa, das quais
4.950 serão destinadas aos caçadores indígenas.
No ano passado, o país
autorizou a caça de 270 mil focas.
Segundo o Ministério de
Pesca canadense, "o Governo adotou medidas para garantir
que a caça continue sendo realizada de uma forma humana,
adotando recomendações do Grupo Independente de Trabalho
de Veterinários".
As autoridades canadenses
não especificaram os detalhes das medidas, mas o jornal
"The Globe and Mail" informou hoje que as novas normas
obrigarão os caçadores a cortar as artérias dos animais
para assegurar que eles morram de forma rápida e
reduzir, assim, seu sofrimento.
Em dezembro do ano
passado, o Painel de Saúde e Bem-estar Animal da
Autoridade Européia de Segurança Alimentar (EFSA)
divulgou os resultados de um estudo que tinha como
objetivo avaliar se as focas poderiam ser mortas de
forma rápida e efetiva sem que sentissem dor, medo e
outros tipos de sofrimento evitáveis.
Os cientistas europeus
concluíram que há formas de evitar o sofrimento, mas na
prática nem sempre são aplicadas e esses animais morrem
de forma lenta e agonizante.
Organizações de defesa
dos direitos animais aproveitam todos os anos a abertura
da temporada de caça de focas no litoral atlântico
canadense para protestar contra a prática, que
consideram desumana e injustificada.
O estudo da EFSA será uma
da peças básicas que os países da União Européia (UE)
utilizarão para decidir, no final deste mês, se
proibirão a importação de peles de focas, o que poderia
destruir a caça comercial canadense.
As novas medidas adotadas
pelo Canadá para caçar focas se aproximam das
recomendadas pelos cientistas europeus.
Nos últimos anos, o
Canadá lançou intensas campanhas de relações públicas na
Europa para combater o que qualifica como "indústria de
protestos" e o insaciável apetite das organizações
ambientalistas para arrecadar dinheiro.
Até agora, os caçadores
canadenses eram obrigados a comprovar que as focas
estavam mortas antes de despelá-las, tocando os olhos do
animal para observar algum tipo de reação. Mas este
método em muitas ocasiões não pode ser usado pelas
condições nas quais a caça é realizada.
Apesar disso, o Governo
canadense afirma que 98% das focas são mortas sem
crueldade.
No entanto, estudos da
organização IFAW, que protesta contra a caça de focas
desde meados dos anos 60, indicam que até 42% dos
animais mortos "provavelmente estavam conscientes quando
foram despelados".
O ministro de Pesca
canadense, Loyola Hearn, também afirmou em comunicado
que o Canadá começou a avaliar o tamanho da população de
focas harpa, antecipando a contagem em um ano.
As organizações
ambientalistas advertiram no passado que o nível de caça
permitido pelo Canadá (cerca de 1.270.000 exemplares nos
últimos quatro anos) pode ter conseqüências
catastróficas para a espécie perante os efeitos do
aquecimento global.
As focas harpa usam os
gelos flutuantes do Atlântico para dar à luz suas crias,
mas nos últimos anos as más condições do gelo no litoral
atlântico canadense se traduziram em uma elevada
mortalidade das mesmas, que constituem o grosso da caça
canadense de focas. |