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Anna Kingsford: a mãe do vegetarianismo |
Quem foi Anna Kingsford

ANNA BONUS KINGSFORD
(16/09/1846-22/02/1888) foi uma mulher notável sob muitos aspectos. Escreveu
livros do maior valor e profundidade no campo do pensamento religioso e do
vegetarianismo. Também possuía talentos excepcionais em outras áreas: como
médica, e como apaixonada ativista pelos direitos das mulheres e em prol do
vegetarianismo, e especialmente como ardorosa opositora da vivissecção. Apesar
da constante má saúde, que a acompanhou durante toda sua curta vida, Anna
Kingsford deixou contribuições inestimáveis para o bem estar dos humanos e dos
animais.
Ela era o que hoje
denominamos de psíquica desde idade muito tenra, sendo cônscia de fantasmas de
mortos, dos estados físicos e psíquicos dos vivos, e suas antevisões acerca da
morte próxima de pessoas eram sempre acuradas. No entanto, logo aprendeu a
manter-se em silêncio a respeito de suas visões a fim de evitar o inevitável
ridículo, e os conselhos desagradáveis do médico da família.
Tanto o Cristianismo
tradicional quanto o Materialismo tinham no mínimo desconfiança acerca do mundo
dos espíritos, não raro perseguindo as pessoas com capacidades psíquicas.
Libertar o espírito humano das garras letais do falso Cristianismo e do
Materialismo grosseiro se tornaria o maior objetivo da vida de Anna Kingsford.
Ela casou-se em 1867 com Algernon Godfrey Kingsford. Estudou as doutrinas do
Anglicanismo de seu marido, e também aquelas do Catolicismo Romano. Em 1870
ingressou na Igreja Católica Romana, sendo atraída pelo seu ritual e pelos seus
aspectos místicos. Adotou, então, os nomes cristãos de Anna Mary Magdalen Maria
Johanna. Contudo, ela sempre foi sempre uma crítica do sacerdotalismo e do
materialismo da Igreja.
Anna se dedicou ao estudo de Medicina, com intuito de abrir novos caminhos para
outras questões como o vegetarianismo, e para auxiliar em sua luta pelas demais
causas nas quais acreditava. As mulheres não eram então aceitas como estudantes
de Medicina na Inglaterra, mas podiam realizar alguns estudos lá. Anna começou
seus estudos médicos em 1873, na Inglaterra, e foi para Paris em 1874 para lá
fazer a maior parte de seu curso de Medicina. Ela ficou indo e vindo entre Paris
e a Inglaterra até que recebeu seu diploma como médica em 1880. Em seu diário
Anna escreveu que tinha uma grande ambição de mudar o mundo e de alcançar
glória, e que seu sofrimento com a má saúde de seu corpo era devido ao carma por
seus “pecados da carne” em vidas anteriores.
A vida de Anna Kingsford tornou-se entrelaçada com a de Edward Maitland
(27/10/1824-2/10/1897). A sua colaboração começou em fevereiro de 1874 quando
Edward visitou Anna e seu esposo, lá permanecendo por duas semanas. Algernon não
se opôs ao próximo (e platônico) relacionamento de ambos. Considerando o curso
de suas respectivas vidas, não é difícil acreditar que a misteriosa mão do
destino aproximou Anna Kingsford e Edward Maitland. Por exemplo, caso a esposa
de Edward não tivesse falecido bastante jovem, ele não estaria livre para
colaborar com Anna, e talvez nunca a tivesse encontrado, pois Edward havia se
casado e morava na Austrália.
Anna Kingsford estava freqüentemente em contato com o mundo dos espíritos,
principalmente durante seu sono, e colaborou com Edward Maitland para escrever o
que eles denominaram de suas “Iluminações”. Em 1881 ela deu uma série de
conferências baseadas em suas “Iluminações”, para uma seleta audiência em
Londres. No ano seguinte essas conferências foram publicadas como
The Perfect
Way; or, The Finding of Christ
(O Caminho
Perfeito; ou, o Encontro de Cristo). É a obra magna de ambos, e uma quarta
edição do livro foi publicada em 1909.
Em seu ensaio In Memoriam to the Rev. G.J.R. Ouseley (Em
Memória do Rev. G.J.R. Ouseley), Samuel Hopgood Hart escreveu a respeito da
obra O Caminho Perfeito, citando o próprio Rev. G.J.R. Ouseley:
“Conversamos os dois longamente,
embora com alguma dificuldade em razão de sua surdez. Quando lhe falei do meu
interesse nos ensinamentos de O Caminho Perfeito, ele disse que em
sua opinião era “a mais luminosa e melhor de todas as revelações que tinham sido
dadas ao mundo”. Numa carta para a revista Light (1882, p. 475)
ele descreveu O Caminho Perfeito como “o mais maravilhoso de todos
os livros que apareceram desde a era cristã”. Mas ele desacreditava que o mundo
jamais o recebesse bem, porque “o mundo sempre rejeitou a Verdade; sempre
crucificou a Cristo e sua doutrina, e por que não faria isso novamente?”. De uma
coisa, contudo, ele estava seguro: “A Igreja do futuro será a Igreja de O
Caminho Perfeito”.
Maitland reuniu algumas das
“Iluminações” de Anna Kingsford e as publicou em Clothed with the Sun
(Vestida com o Sol) em 1889. A obra final de Maitland foi uma biografia
de Anna Kingsford, em dois volumes (1896). Anna Kingsford morreu ao meio dia de
22 de fevereiro de 1888, encerrando uma vigília de 18 horas de Maitland ao seu
lado. Ela foi enterrada em Atcham.
Fonte: Anna-Kingsford.com
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