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Vida Vegetariana

SAÚDE À MESA
Não é novidade que a
natureza traz uma série de alimentos com poderes terapêuticos. Pesquisas
mundiais já comprovaram que o ômega 3 presente nos peixes reduz o nível de
colesterol no sangue, que a soja atenua os sintomas da menopausa, que o tomate
ajuda na prevenção do câncer de próstata e que o abacate protege o corpo dos
radicais livres. Sabe-se, portanto, que muita coisa que a gente ingere, além de
nutrir o corpo, conta com componentes bioativos que produzem efeitos metabólicos
ou fisiolóicos benéficos ao organismo humano. A diferença é que agora eles são
apresentados com a classificação de "funcionais".
"Deu-se nome aos bois", resume a
nutricionista clínica funcional Denise Madi Carreiro, de São Paulo. De acordo
com ela, nos últimos anos, fala-se tanto sobre esse assunto graças à descoberta
das substâncias que tornam determinados alimentos boas fontes para diminuir o
risco de doenças. Carotenóides (presentes no pimentão ou na laranja), limonóides
(encontráveis nas cascas das frutas cítricas), fenóis (que estão nos vegetais de
cores roxa, azul ou violeta) ou flavonóides (cuja soja é a grande representante)
são alguns dos componentes ativos capazes de prevenir ou reduzir males que vão
da constipação intestinal à osteoporose, arteriosclerose e até mesmo certos
tipos de câncer.
VOCÊ É O QUE VOCÊ COME
Todo alimento natural
(ou seja, não-processado industrialmente) pode ser classificado como
"funcional", já que contêm, em doses variadas, vitaminas, minerais, enzimas ou
fibras essenciais para a saúde. "No entanto, são apenas alguns alimentos que
trazem essa capacidade protetora do organismo", salienta a nutricionista clínica
Carina Pioli, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, localizado na capital paulista.
Segundo
a médica, é importante notar que não basta simplesmente devorar doses cavalares
dos alimentos com reconhecimento medicamentoso. Isso porque nem sempre as
proteínas de tudo que se ingere são absorvidas pelas células. Cada pessoa tem
uma resposta bioquímica ao que consome, por isso, suas necessidades são
particulares.
Em alguns casos, quando o organismo
encontra dificuldade em reconhecer as substâncias que poderiam fortalecê-lo,
podem ocorrer reações inflamatórias que contribuem para o desenvolvimento de
males como rinite, otite, bronquite, gastrite e até celulite, ou ainda inchaços,
dor de cabeça, ansiedade, falta de concentração, alterações de humor e
obesidade. "Somos reflexo do que ingerimos para abastecer nossas células",
pontua Denise Carreiro. Dados da OMC (Organização Mundial da Saúde) apontam que
80% das mortes por doenças crônicas não-trasmissíveis tiveram relação com a
alimentação incorreta.
Saiba mais sobre a atuação dos
principais alimentos funcionais no organismo:
Abacate (betasistosterol):
Rico em vitaminas E e C, potentes antioxidantes, promove a saúde dos dentes e
das gengivas e protege os tecidos do corpo dos radicais livres. Seus
fitonutrientes reduzem o colesterol sangüíneo;
Alho e cebola
(alicina e compostos derivados): Estudos apontam que muitos compostos desses
alimentos exercerem atividades anticancerígenas e antiaterogênicas. Eles ainda
estimulam a função imunológica e favorecem a redução do colesterol "ruim";
Chá verde
(compostos fenólicos): tem ação antioxidante que reduz o risco de câncer
(particularmente o câncer de estômago) e de doenças cardíacas, impedindo a
formação e desenvolvimento de tumores. Melhora ainda a produção de suco gástrico
e, por isso, diminui a gordura abdominal;
Couves,
brócolis, repolho e nabo, entre outros vegetais crucíferos (glicosinolatos):
previnem câncer e doenças cardiovasculares por sua ação antioxidante nas
células. Todos são ricos em fibras que ajudam no bom funcionamento do intestino;
Aveia, trigo e
arroz integral, entre outras fibras (glucanas): resistentes à hidrólise (as
fibras não são quebradas pelas enzimas do tubo digestivo), promovem a sensação
de saciedade precoce e retardam a absorção de carboidratos, açúcar e gordura.
Também reduzem o risco de câncer, particularmente aqueles do trato alimentar,
tais como câncer coloretal e gástrico;
Leites
fermentados (probióticos): previnem o câncer intestinal e de colorretal e
participam do controle da glicemia. Esses microorganismos colaboram com o
funcionamento e o equilíbrio dos organismos benéficos da flora intestinal;
Azeites
(ômega 3): reduzem os níveis de colesterol sangüíneo e o risco de doenças
cardiovasculares. Sabe-se hoje que a maior parte das doenças crônicas
não-transmissíveis podem ser evitadas com o ômega 3;
Pimenta (capsaicinóides):
São boas fontes de antioxidantes e, segundo estudos, podem atuar como
anticoagulante, prevenindo a formação de coágulos que causam ataques cardíacos
ou até derrames cerebrais;
Soja e
derivados (isoflavona): reduzem a freqüência e intensidade dos sintomas da
menopausa, previnem osteoporose, protegem contra o câncer (principalmente o de
mama e o de próstata) e doenças cardíacas, e diminuem o colesterol "ruim" pela
ação antioxidante da isoflavona, que também combate os radicais livres;
Tomate
vermelho, amora e goiaba vermelha (carotenóide licopeno): protegem contra o
câncer de próstata e contra doenças cardiovasculares (o tomate na forma de molho
tem ainda mais concentração de seu componente ativo) e neutraliza os radicais
livres.
Por isso, o ideal, garantem as
nutricionistas, é investir na velha receita: dieta variada, moderada e
equilibrada. Em outras palavras, é necessário combinar um cardápio que ofereça
todos os nutrientes essenciais e, ao mesmo tempo, contribua para a manutenção do
peso ideal do corpo. Quem tem como objetivo perder alguns quilos, por exemplo,
deve optar pelo consumo máximo de vegetais (5 porções) e frutas (4 porções), que
apresentam baixas calorias, e o mínimo de porções dos grupos de carboidratos
complexos (6 porções) e proteínas (2 porções de laticínios ou leguminosas), que
tendem a ter mais calorias.
Enlatados
O problema é que a sociedade industrial e a vida nos grandes centros urbanos têm
criado gerações de pessoas sedentárias, estressadas e com péssimos hábitos
alimentares. É para elas que a mercado não pára de criar uma infinidade de
produtos industrializados que se apresentam como "funcionais" e pretendem suprir
as deficiências nutricionais, além de evitar o risco de doenças. Leite longa
vida acrescido de ômega 3, farinhas com fibras, vinagre com acerola, além de
fórmulas à base de proteína de soja com dosagens de isoflavonas estão entre os
alimentos "enriquecidos".
Desde 99, a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) aprovou a
regulamentação desses alimentos e ingredientes. Entre os recentemente estudados,
estão os prebióticos e os probióticos. Os primeiros são alguns tipos de fibras
alimentares, cuja configuração molecular os torna resistentes à ação de enzimas
e, assim, não são digeríveis pelo organismo. Com isso, facilitam o trânsito
intestinal e reduzem desconfortos e até mesmo doenças. Já os probióticos são
microorganismos adicionados a certos alimentos - leites e iogurtes,
especialmente -, que reforçam a ação das bactérias benéficas e diminuem a ação
das patogênicas.
Ainda assim, é preciso levar em
consideração que nem sempre alguns desses alimentos industrializados trazem
concentrações suficientes dos componentes funcionais. As médicas consultadas
para a reportagem reforçam que o consumo desses produtos (que têm custo mais
elevado), com a finalidade diminuir as chances de desenvolver doenças, precisa
estar associado a uma alimentação que também conte com produtos naturais, além
da prática de alguma atividade física. Com tudo isso, fica fácil imaginar como o
que se põe à mesa exerce papel fundamental no retardo do processo de
envelhecimento.
Fonte: Guia da Semana
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