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entanto, logo aprendeu a manter-se em
silêncio a respeito de suasvisões a fim de evitar o
inevitável ridículo, e os conselhos desagradáveis do
médico da família.
Tanto o Cristianismo tradicional quanto o
Materialismo tinham no mínimo desconfiança acerca do
mundo dos espíritos, não raro perseguindo as pessoas
com capacidades psíquicas. Libertar o espírito
humano das garras letais do falso Cristianismo e do
Materialismo grosseiro se tornaria o maior objetivo
da vida de Anna Kingsford.
Ela casou-se em 1867 com Algernon Godfrey
Kingsford. Estudou as doutrinas do Anglicanismo de
seu marido, e também aquelas do Catolicismo Romano.
Em 1870 ingressou na Igreja Católica Romana, sendo
atraída pelo seu ritual e pelos seus aspectos
místicos. Adotou, então, os nomes cristãos de Anna
Mary Magdalen Maria Johanna. Contudo, ela sempre foi
sempre uma crítica do sacerdotalismo e do
materialismo da Igreja.
Anna se dedicou ao estudo de Medicina,
com intuito de abrir novos caminhos para outras
questões como o vegetarianismo, e para auxiliar em
sua luta pelas demais causas nas quais acreditava.
As mulheres não eram então aceitas como estudantes
de Medicina na Inglaterra, mas podiam realizar
alguns estudos lá. Anna começou seus estudos médicos
em 1873, na Inglaterra, e foi para Paris em 1874
para lá fazer a maior parte de seu curso de
Medicina. Ela ficou indo e vindo entre Paris e a
Inglaterra até que recebeu seu diploma como médica
em 1880. Em seu diário Anna escreveu que tinha uma
grande ambição de mudar o mundo e de alcançar
glória, e que seu sofrimento com a má saúde de seu
corpo era devido ao carma por seus “pecados da
carne” em vidas anteriores.
A vida de Anna Kingsford tornou-se
entrelaçada com a de Edward Maitland
(27/10/1824-2/10/1897). A sua colaboração começou em
fevereiro de 1874 quando Edward visitou Anna e seu
esposo, lá permanecendo por duas semanas. Algernon
não se opôs ao próximo (e platônico) relacionamento
de ambos. Considerando o curso de suas respectivas
vidas, não é difícil acreditar que a misteriosa mão
do destino aproximou Anna Kingsford e Edward
Maitland. Por exemplo, caso a esposa de Edward não
tivesse falecido bastante jovem, ele não estaria
livre para colaborar com Anna, e talvez nunca a
tivesse encontrado, pois Edward havia se casado e
morava na Austrália.
Anna Kingsford estava freqüentemente em
contato com o mundo dos espíritos, principalmente
durante seu sono, e colaborou com Edward Maitland
para escrever o que eles denominaram de suas
“Iluminações”. Em 1881 ela deu uma série de
conferências baseadas em suas “Iluminações”, para
uma seleta audiência em Londres. No ano seguinte
essas conferências foram publicadas como
The Perfect Way; or, The Finding of
Christ
(O Caminho Perfeito; ou, o
Encontro de Cristo). É a obra magna de ambos, e
uma quarta edição do livro foi publicada em 1909.
Em seu ensaio In Memoriam to the
Rev. G.J.R. Ouseley (Em Memória do Rev.
G.J.R. Ouseley), Samuel Hopgood Hart escreveu a
respeito da obra O Caminho Perfeito,
citando o próprio Rev. G.J.R. Ouseley:
“Conversamos os dois longamente, embora com alguma
dificuldade em razão de sua surdez. Quando lhe falei
do meu interesse nos ensinamentos de O Caminho
Perfeito, ele disse que em sua opinião era
“a mais luminosa e melhor de todas as revelações que
tinham sido dadas ao mundo”. Numa carta para a
revista Light (1882, p. 475) ele
descreveu O Caminho Perfeito como “o
mais maravilhoso de todos os livros que apareceram
desde a era cristã”. Mas ele desacreditava que o
mundo jamais o recebesse bem, porque “o mundo sempre
rejeitou a Verdade; sempre crucificou a Cristo e sua
doutrina, e por que não faria isso novamente?”. De
uma coisa, contudo, ele estava seguro: “A Igreja do
futuro será a Igreja de O Caminho Perfeito”.
Maitland reuniu algumas das “Iluminações” de Anna
Kingsford e as publicou em Clothed with the
Sun (Vestida com o Sol) em 1889. A
obra final de Maitland foi uma biografia de Anna
Kingsford, em dois volumes (1896). Anna Kingsford
morreu ao meio dia de 22 de fevereiro de 1888,
encerrando uma vigília de 18 horas de Maitland ao
seu lado. Ela foi enterrada em Atcham. |