DIÁRIO DO GRANDE
ABC - 30/11/2007
por Ademir Médici
Liminar contra Escola Ambiental é mantida
A Câmara Ambiental do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo manteve quinta-feira a
liminar que breca as obras da Prefeitura de
São Bernardo na Chácara Silvestre. A decisão
foi unânime. A Prefeitura tem 60 dias para
contestar a ação civil pública movida pelo
Conselho Popular da Vila São Pedro e pedir, de
novo, a cassação da liminar.
As obras
permanecerão paradas até que a juíza Maria
Laura de Assis Moura examine novamente a
matéria, mantendo ou reformando a decisão
anterior – que negou o recurso e o pedido de
reconsideração feito pela promotora do Meio
Ambiente, Rosângela Staurenghi. A promotora
pediu a paralisação das obras.
A Prefeitura
tem a intenção de adaptar a casa tombada e
transformá-la em Escola Ambiental. Os
ambientalistas tentam evitar a obra, alegando
que a chácara é tombada e vai haver danos
ambientais.
No julgamento
da ação, os desembargadores discorreram sobre
a importância da área verde da Chácara
Silvestre para São Bernardo. Citaram o
tombamento do casarão de Wallace Simonsen e a
necessidade de preservação também do seu
entorno.
O desembargador
Torres de Carvalho, que atuou como relator no
julgamento da ação, citou o parecer da
geógrafa Simone Scifone. Lembrou a relutância
do Comphac (Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico de São Bernardo) em aprovar as obras
e que quando finalmente a aprovação ocorreu,
em 18 de setembro, esta não levou em
consideração os pareceres técnicos contrários.
O desembargador
Samuel Júnior, presidente da Câmara Ambiental
do Tribunal de Justiça, defende que a juíza de
São Bernardo receba novos elementos para ter
maior clareza no julgamento da ação.
Para a
promotora Rosângela Staureghi, a Câmara
Ambiental do Tribunal de Justiça reconheceu a
importância da preservação da Chácara
Silvestre. O advogado Rogério Gonçalves, que
defende o movimento SOS Chácara Silvestre,
afirmou que persiste a exceção de impedimento
e suspeição contra a juíza Maria Laura de
Assis Moura, cujo pai trabalhou como consultor
da Secretaria de Habitação e Meio Ambiente da
Prefeitura. Este incidente, disse o advogado,
também será julgado no Tribunal.
O julgamento
foi acompanhado por integrantes SOS Chácara
Silvestre. A Prefeitura foi representada por
dois procuradores, Luiz Mario P. S. Gomes e
Renata Cristina Iuspa.
PREFEITURA SÓ VAI SE
MANIFESTAR APÓS DECISÃO FINAL
por Isis Mastromano Correia
A Prefeitura de São Bernardo informou que
aguardará uma decisão final da Justiça para se
manifestar.
Em nota, a
administração reforçou o fato de as obras na
Chácara Silvestre estarem paralisadas desde o
dia 7 de novembro por conta da recomendação da
promotora do Meio Ambiente de São Bernardo,
Rosângela Staurenghi, independentemente de
qualquer liminar.
De acordo com a
Prefeitura, as obras do Centro de Cultura
Educação Ambiental no espaço continuarão
suspensas até que sejam sanados todos os
imbróglios. |