JORNAL ABCD MAIOR - 16/11/2007
por Liora Mindrisz

Chácara Silvestre é tema em discussão sobre patrimônio histórico

 
Foto: Valdir Silva
Paulismar, Simone e Médici no debate. Foto: Valdir Silva
Paulismar, Simone e Médici no debate
  O jornalista e memorialista Ademir Médici deu aula de história em debate sobre “Diálogos sobre a memória e patrimônio cultural”, que aconteceu na sexta-feira (16/11) na 1° Jornada ABCD Maior de Ações Sociais, no Clube da Ford em São Bernardo. Médici montou uma apresentação de fotos antigas dos patrimônios da região, alguns extintos outros sobreviventes. Entre as imagens exibidas estavam a igreja matriz de São Bernardo, o Parque
Regional da Criança em Santo André, o Cineteatro Carlos Gomes em Santo André, que foi tombado mas está esquecido, a praça Cardeal Arco Verde em São Caetano, e outros casarões, casas e áreas que foram demolidas.

Médici destacou a vila de Paranapiacaba, de Santo André, que têm recebido uma atenção do governo municipal. “Está havendo uma revolução em Paranapiacaba, que está investindo no Festival de Inverno e em algumas construções, mas existem três coisas que foram esquecidas: o sistema funicular dos trens, que está apodrecendo, enferrujando; os trens passageiros, que devem existir, já que aquela é uma vila ferroviária e a estação de Campo Grande, que é tão linda e está abandonada”, disse.

Mesmo assim, o grande tema do debate foi a Chácara Silvestre, a nova luta dos ambientalistas da Região, que irá receber a Escola Ambiental e, para isso, irá derrubar  árvores. Médici explicou que a luta não é contra o governo, mas sim a favor do patrimônio da Chácara. “Quando a agente reclama em Santo André eles dizem que somos anti-petistas, quando reclamamos aqui, nos chamam de petistas. É difícil essa situação política”, explicou.

O caso Chácara Silvestre contou também com a participação de Paulismar Duarte, do S.O.S Chácara Silvestre, e de Simone Scifoni, conselheira do Compac (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural) de São Bernardo. A geógrafa e também militante Simone usou sua fala para discutir sobre o papel da sociedade civil na defesa do patrimônio. “No Compac somos nove conselheiros da Prefeitura e 11 da sociedade civil. A gente poderia ter ganhado a causa da Chácara Silveste (que permitiu a construção da Escola Ambiental na Chácaca), mas não fizemos nada”, lamenta. “Nossa luta não é saudosismo, é preciso aprender com o passado para construir um novo futuro”, concluiu.