DIÁRIO DO GRANDE ABC - 05/12/2007
por Ademir Médici

Memória - Chácara Silvestre e o Tribunal de Justiça


Foi comovente a sessão da Câmara Ambiental do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que na semana passada julgou a ação que se move contra as obras programadas pela Prefeitura de São Bernardo para a Chácara Silvestre. A fala do desembargador Jacobina Rabello, que atuou como revisor da ação, deu ânimo novo ao Movimento SOS Chácara Silvestre.

O desembargador Rabello afirmou que o entorno do casarão histórico da Chácara Silvestre tem que respeitar o tombamento. E considerou um contra-censo construir uma escola ambiental em detrimento do meio-ambiente. Jacobina Rabello citou quatro exemplos para justificar a sua posição:

1) Em 1957, ao chegar em São Paulo, a Rua Iguatemi era um charco, também chamado de várzea, com muitas árvores adultas. No local hoje funciona o Shopping Iguatemi, praticamente sem árvore nenhuma;

2) O prefeito de Nova York trabalha para dotar cada conjunto de quarteirões centrais da cidade com um jardim. No Brasil nada se faz neste sentido;

3) Em Belo Horizonte, o governo planeja construir um centro administrativo no espaço central do antigo hipódromo; e a população exige para o espaço a implantação de um grande parque;

4) Se São Paulo, Capital, tivesse 50 áreas como o Ibirapuera, estaria ótimo; a realidade mostra um quadro diferente, de carência do verde.

Em São Bernardo mesmo temos vários exemplos, atuais e antigos, de agressão ao meio-ambiente. O da magnólia histórica, tantas vezes citada em Memória, é um exemplo significativo.

A magnólia era uma árvore frondosa e típica. Ficava na Rua Marechal Deodoro, “no fim da Vila, como se dizia.” Ali paravam os viajantes que seguiam entre Santos e São Paulo e vice-versa. Cantores famosos que se exibiram no Teatro Municipal de São Paulo conheceram o restaurante Recreio, da Magnólia, num tempo em que todo o tráfego passava pela Rua Marechal Deodoro, já que a Via Anchieta seria construída apenas na década de 1940.

A magnólia foi cortada, tragicamente, no início da década de 1960. Uma tragédia realmente para a história de São Bernardo. E sabem o que foi construído no lugar da magnólia histórica? Uma loja de móveis.

O nome Magnólia sobrevive para identificar uma agência da Caixa Econômica Federal que ali funcionou e que hoje está em outro ponto da Marechal.