08.12.2007

O tiro saiu pela culatra
 
“Os ‘poderosos’ de São Bernardo tentaram nos ludibriar. A ‘trama’ deles nos aproximou. Somos amigos. Uma amizade construída à sombra da Chácara Silvestre”. Essa frase resume com muita propriedade o resultado de uma ação mal planejada de alguns políticos que se julgam os donos da sabedoria. Políticos esses que subestimaram a vontade de uma aparente minoria, que para a sua decepção, representava na verdade os anseios de um grupo muito maior.
 
O anúncio da construção de uma Escola Ambiental no interior da Chácara Silvestre; o corte de 341 árvores, muitas dessas sendo nativas e outras exóticas, foi feito com as pompas peculiares de políticos que queriam aparecer, fazer marketing. A forma como  foi feito o tal anúncio mostrava claramente a despreocupação deles em encontrar pela frente toda a resistência dispensada até o momento. Acostumados a tomarem decisão unilateral, entendia ser mais uma delas, e que a população com certeza lhes aplaudiriam, e ainda colheria os louros no próximo pleito eleitoral, quem sabe reelegendo a vereador o titular da pasta com a mesma expressiva votação obtida em 2004. Mas o tiro saiu pela culatra.
 
Esse projeto, o sonho pessoal, e que seria a menina dos olhos do Secretário de Educação, virou pesadelo não só para ele, mas para vários setores do Executivo e até do judiciário.
 
Proporcionou a criação de uma entidade, a SOS Chácara Silvestre; uniu pessoas de diferentes segmentos da sociedade; de diversas formações acadêmicas, mas ligadas pelo mesmo objetivo: preservar a Chácara Silvestre; preservar o patrimônio histórico-cultural e o meio ambiente, não só de nossa cidade, mas de um espaço geográfico mais amplo. Chamou a atenção de lideranças que assimilaram e assumiu de corpo e alma os anseios daquele grupo, que a princípio era dono tão somente da vontade de se doar pela causa em questão, mas ainda não conheciam o causticante caminho das pedras.
 
 Muitos editoriais foram escritos elogiando o projeto e seus idealizadores, ignorando os gritos de socorro daqueles que enxergam como crime a degradação do último pulmão verde urbano de São Bernardo, bem como o desrespeito ao patrimônio histórico-cultural daquele local, haja vista o seu tombamento aprovado pelo COMPAHC. Esses editorialistas ignoraram que desde 1996 encontra-se engavetado na Secretaria de Educação, o pedido de tombamento do jardim da Chácara Silvestre. Desconhecem também o Decreto Federal nº 25/1937, onde afirma que o tombamento provisório de um patrimônio histórico-cultural tem o mesmo efeito de um tombamento definitivo.
 
Tentaram esses fazedores de opinião, desvirtuar o debate, insinuando ser uma bandeira partidária da oposição, faltando com o respeito aos diferentes integrantes do movimento, sendo a sua maioria absoluta, pessoas desvinculadas de qualquer debate político. Entendo que teriam aprendido muito sobre o tema, se tivesse saído de suas redações e acompanhado o belo debate travado pelos Desembargadores no Plenário do Superior Tribunal de Justiça no dia 29 de novembro, na ocasião que estava sendo julgado a liminar que impede a construção em debate.
 
De qualquer forma, até aqui os guardiões da Lei, com exceção da Drª Maria Laura de Assis Moura Tavares, juíza que negou o nosso pedido de liminar, entendem que há algo de errado nesse projeto que custaria aos cofres públicos do município a bagatela de R$ 21 milhões, pois manteve ativa a liminar concedida em 12 de novembro de 2007, proibindo, mesmo que temporário, a construção da polêmica Escola Ambiental.
 
O Superior Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ofereceu à Vara da Fazenda de São Bernardo a oportunidade de refletir melhor sobre a nossa Ação Civil Pública. Entendo que quem for julgar essa Ação, deva se debruçar com muita atenção aos pareceres técnicos; a manifestação do Ministério Público, bem como as declarações de votos dos Desembargadores, Drs. Jacobina e Torres de Carvalho; esses documentos registram com muita responsabilidade os anseios da SOS Chácara Silvestre.


Paulismar Duarte
Coordenador da SOS Ch
ácara Silvestre
padassessor@yahoo.com.br

 

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