“Os
‘poderosos’ de
São
Bernardo
tentaram nos ludibriar. A
‘trama’ deles nos aproximou.
Somos amigos. Uma amizade
construída à sombra da Chácara
Silvestre”. Essa frase resume
com muita propriedade o
resultado de uma ação mal
planejada de alguns políticos
que se julgam os donos da
sabedoria. Políticos esses que
subestimaram a vontade de uma
aparente minoria, que para a
sua decepção, representava na
verdade os anseios de um grupo
muito maior.
O
anúncio da construção de uma
Escola Ambiental no interior
da Chácara Silvestre; o corte
de 341 árvores, muitas dessas
sendo nativas e outras
exóticas, foi feito com as
pompas peculiares de políticos
que queriam aparecer, fazer
marketing. A forma como foi
feito o tal anúncio mostrava
claramente a despreocupação
deles em encontrar pela frente
toda a resistência dispensada
até o momento. Acostumados a
tomarem decisão unilateral,
entendia ser mais uma delas, e
que a população com certeza
lhes aplaudiriam, e ainda
colheria os louros no
próximo pleito eleitoral, quem
sabe reelegendo a vereador o
titular da pasta com a mesma
expressiva votação obtida em
2004. Mas o tiro saiu pela
culatra.
Esse projeto, o sonho pessoal,
e que seria a menina dos
olhos do Secretário de
Educação, virou pesadelo não
só para ele, mas para vários
setores do Executivo e até do
judiciário.
Proporcionou a criação de uma
entidade, a
SOS Chácara
Silvestre;
uniu pessoas de diferentes
segmentos da sociedade; de
diversas formações acadêmicas,
mas ligadas pelo mesmo
objetivo:
preservar a Chácara Silvestre;
preservar o patrimônio
histórico-cultural e o meio
ambiente,
não só de nossa cidade, mas de
um espaço geográfico mais
amplo. Chamou a atenção de
lideranças que assimilaram e
assumiu de corpo e alma
os anseios daquele grupo, que
a princípio era dono tão
somente da vontade de se doar
pela causa em questão, mas
ainda não conheciam o
causticante caminho das
pedras.
Muitos
editoriais foram escritos
elogiando o projeto e seus
idealizadores, ignorando os
gritos de socorro daqueles
que enxergam como crime
a degradação do último pulmão
verde urbano de
São
Bernardo,
bem como o desrespeito ao
patrimônio histórico-cultural
daquele local, haja vista o
seu tombamento aprovado pelo
COMPAHC. Esses editorialistas
ignoraram que desde 1996
encontra-se engavetado na
Secretaria de Educação, o
pedido de tombamento do jardim
da Chácara Silvestre.
Desconhecem também o Decreto
Federal nº 25/1937, onde
afirma que o tombamento
provisório de um patrimônio
histórico-cultural tem o mesmo
efeito de um tombamento
definitivo.
Tentaram esses fazedores de
opinião, desvirtuar o debate,
insinuando ser uma bandeira
partidária da oposição,
faltando com o respeito aos
diferentes integrantes do
movimento, sendo a sua maioria
absoluta, pessoas
desvinculadas de qualquer
debate político. Entendo que
teriam aprendido muito sobre o
tema, se tivesse saído de suas
redações e acompanhado o belo
debate travado pelos
Desembargadores no Plenário do
Superior Tribunal de Justiça
no dia 29 de novembro, na
ocasião que estava sendo
julgado a liminar que impede a
construção em debate.