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Uma mania ganhou
impulso na última década, sobretudo nos Estados Unidos e na
Europa: tirar a carne do cardápio. Até mesmo entre brasileiros há
quem considere um bife suculento como politicamente incorreto.
Estima-se que 10 milhões de americanos tenham aderido a alguma
dieta vegetariana, com graus variados de exclusão de alimentos de
origem animal. É uma atitude arriscada, de acordo com um estudo da
Universidade de Minnesota, nos EUA. Depois de avaliar os hábitos
alimentares de cerca de 5 000 adolescentes, vegetarianos ou não,
os pesquisadores concluíram que, longe de ser uma decisão
filosófica, tirar a carne do cardápio pode ser um sintoma de
distúrbios alimentares graves. São doenças como a anorexia, falta
de apetite crônica que pode levar à morte, e a bulimia, na qual o
vômito é induzido como forma de conservar a magreza desejada. "Em
geral, pacientes com distúrbios alimentares procuram dietas
excêntricas, e o vegetarianismo é preferido porque, sem carne, são
ingeridas menos calorias e a pessoa não se sente inchada", diz a
psiquiatra Angélica Claudino, coordenadora do Programa de
Transtornos Alimentares da Universidade Federal de São Paulo.
A principal razão entre os jovens
para aderir à dieta vegetariana é manter o peso ou emagrecer. Mas
não é só isso. Um em cada quatro adolescentes americanos acha
moderno não comer carne. "Muitos adolescentes se tornam
vegetarianos por influência
de seus ídolos", comenta Marly Winckler, secretária-geral para a
América Latina da União Vegetariana Internacional, associação
espalhada por 35 países. A complicação para quem está em idade de
crescimento é que esse tipo de regime é carente de ferro, cálcio e
proteínas, presentes em carnes, leites e ovos. Motivada pelo
budismo, a paulista Cristine Viecile Leone, de 18 anos, deixou de
comer carne branca e vermelha aos 14. "Meu pai me mandou procurar
uma nutricionista, mas não voltei a comer carne", diz. O resultado
foram duas crises de anemia em quatro anos. Hoje Cristine mantém
uma dieta mais equilibrada, com ajuda de uma nutricionista.
Há outras más notícias envolvendo
dietas sem carne. Pesquisadores da Universidade Agrícola de
Wageningen, na Holanda, acompanharam um grupo de crianças e
adolescentes que até os 6 anos foram alimentados de acordo com as
regras dietéticas macrobióticas, à base de cereais integrais.
Constataram que a falta de vitamina B-12, presente apenas em
produtos de origem animal, tinha causado danos irreparáveis no
desenvolvimento cerebral delas. Comparados com crianças com
alimentação variada, os macrobióticos tiveram pior desempenho em
habilidade espacial, memória, capacidade de pensamento abstrato e
aprendizado. O interessante é que os pesquisadores não encontraram
nenhuma vantagem na dieta sem carne que pudesse contrabalançar os
prejuízos.
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