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Fonte: Revista Saúde
Janeiro de 2008
 
     

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Um, dois, FEIJÃO COM ARROZ
Juntos, eles formam uma proteína que faz toda a diferença para a sua saúde. A dupla também ajuda a equilibrar os níveis de glicose no sangue e é aliada da saúde bucal, segundo um novíssimo estudo

Como em um casamento feliz, a química aqui é perfeita. Mais do que uma saborosa parceria, o encontro do arroz com o feijão assegura um invejável arranjo de nutrientes. O que falta em um, o outro fornece e, assim, se completam. Unidos, oferecem uma excelente combinação protéica, conta a nutricionista Norka Beatriz Barrueto, professora da Universidade Estadual Paulista, a Unesp.

Os grãos de arroz contêm metionina, e os feijões, lisina. Esses nomes esquisitos são pedacinhos de proteína ou, na linguagem dos especialistas, aminoácidos. Quando estão juntos, são muito mais eficientes na reparação de tecidos do organismo inteiro. Tal performance é rara de ver entre os vegetais. Geralmente são alimentos de origem animal, como as carnes, que apresentam esse perfil protéico, diz a cientista de alimentos Priscila Zaczuk Bassinello, da Embrapa Arroz e Feijão, que fica em Santo Antônio de Goiás. A dica é botar no prato uma concha de feijão para meia escumadeira de arroz. Essa é a proporção precisa, do ponto de vista químico.

A união também equilibra o índice glicêmico. Enquanto o arroz sozinho, principalmente o polido, pode disparar as taxas de açúcar e insulina na circulação, o feijão tem o poder de brecar esse efeito, o que mantém a glicose estabilizada. A mistura é, portanto, bem-vinda para manter a glicemia em níveis adequados e diminuir o risco do diabete. Sem falar que, por não mandar o açúcar às alturas de uma hora para outra, proporciona saciedade.

Outro fruto da parceria, e que talvez seja o mais inusitado, foi descoberto na Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, no interior de São Paulo, mais precisamente da Faculdade de Odontologia, que fica em Piracicaba, outra cidade paulista. Lá, cientistas dosaram a retenção de flúor no arroz e no feijão preparados em casa e observaram que eles seguram excelentes teores do mineral após o cozimento. Segundo o dentista Jaime Cury, líder da pesquisa, um bom prato de arroz e feijão aumenta a concentração da substância na saliva, o que diminui a desmineralização dos dentes e protege contra as cáries.


NO DIA-A-DIA

A dupla ainda é preferência nacional, mas houve queda no consumo. Muitos alegam a falta de tempo para cozinhar. Uma saída prática e que não provoca a perda de nutrientes é o congelamento. Outro motivo para a diminuição da presença do arroz e do feijão à mesa é o medo de engordar. O melhor, no caso, é evitar o excesso de óleo durante o preparo, diz a nutricionista e professora de gastronomia Maria Cecília Corsi, na capital paulista. Abusar de temperos como a cebolinha, o alho e a pimenta deixa tudo mais aromático e colabora para a redução de gordura e sal. Aliás, estudos mostram que, na cozinha brasileira, as pitadas de sódio vão além da conta no cozimento de ambos.


A COMBINAÇÃO

FEIJÃO

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ARROZ RESULTADO
Esta leguminosa é uma excelente fonte de aminoácidos essenciais, ou seja, partículas protéicas que não são produzidas no nosso organismo. Destaca-se a quantidade de lisina.   O cereal fornece diversos pedacinhos de proteínas fundamentais para a composição de músculos, unhas e cabelos. Uma das mais abundantes é a metionina. A união do arroz com feijão garante o fornecimento de aminoácidos de qualidade. A carência protéica de um é suprida pelos bons teores do outro e vice-versa. Daí que, juntos, eles não deixam nada a desejar na comparação com as carnes, que em geral são as melhores fontes de proteínas.

 

DO CLÃ DAS LEGUMINOSAS
O feijão é nativo das Américas e, desde muito antes da chegada dos europeus, já fazia sucesso entre os índios. Os grãos nascem dentro de vagens daí pertencerem à classe das leguminosas. Existem tipos dos mais variados. Veja os mais consumidos:

CARIOCA Excelente fonte de magnésio, mineral que participa de reações nervosas, ele não pesa na balança como muita gente imagina. Uma concha soma apenas 49 calorias. Para tornar seu caldo mais grosso e saboroso, a dica é amassar uma pequena porção dos grãos cozidos e levar ao fogo novamente. Folhinhas de louro são bem-vindas, sugere Maria Cecília Corsi.

BRANCO Seus grãos, que são famosos em receitas de saladas e na dobradinha, concentram boa quantidade de cálcio. Para a sorte do esqueleto, o mineral da leguminosa é bem absorvido pelo nosso organismo. Vale destacar ainda os teores de zinco, substância indispensável ao sistema imunológico.

FEIJÃO-DE-CORDA Parceiro do arroz em um prato conhecido no Nordeste como baião-de-dois, ele também entra na preparação do acarajé e do abará. É outro grande fornecedor de fibras do tipo solúvel, aquelas que ajudam a baixar os teores de colesterol.

MULATINHO Cheio de cobre, substância que combate a fadiga, é bastante usado na receita do feijão-tropeiro. Só não vale abusar do toucinho, ingrediente bastante engordurado que também faz parte da iguaria.

PRETO Predileto nas regiões Sul e Sudeste, é indispensável na feijoada. Sua coloração se dá graças a um pigmento chamado de antocianina, que quase não aparece nos outros feijões. Cheio de ferro, combate a anemia, mas para isso deve ser consumido junto de alguma fonte de vitamina C. A couve-manteiga é uma boa pedida como acompanhamento, portanto.

GOSTO JAPONÊS
O broto de feijão, também conhecido como moyashi, é resultado da germinação da semente no escuro. Muito utilizado na culinária japonesa, principalmente em sopas e saladas, ele é bem nutritivo. Concentra ácido fólico, uma vitamina do complexo B que contribui para o desenvolvimento dos bebês, e oferece ainda um pouco de vitamina C e fósforo.

DA FAMÍLIA DOS CEREAIS
De origem asiática, o arroz foi trazido ao Brasil pelos portugueses. Se você acredita que seus grãos são pouco nutritivos, prepare-se para algumas surpresas escondidas nas mais diferentes variedades:

NEGRO Ainda não é muito popular por aqui, embora seja conhecido na China há milhares de anos. Era chamado de arroz proibido por ser um alimento exclusivo do imperador, conta a nutricionista Andréa Esquivel, especialista em gastronomia e professora da Universidade Norte do Paraná, a Unopar. Contém pitadas de ferro e, portanto, pode ser útil para afastar a anemia.

PARBOILIZADO Ele concentra vitaminas do complexo B, importantes para afastar doenças cardiovasculares. Essa riqueza se preserva apesar do processamento. É que esse arroz, quando ainda está na casca, passa por um tratamento com água fervente que leva os nutrientes para dentro do grão, explica Andréa.

ARBÓREO O mais usado para fazer risoto, ele concentra bastante amido, o que confere aquela consistência cremosa. Também tem uma incrível capacidade de absorver condimentos.

INTEGRAL Este tipo mantém a camada externa do grão, o farelo. Além de conservar vitaminas do complexo B, contém fibras benéficas ao intestino. Para quem estranha o sabor, Maria Cecília Corsi recomenda refogá-lo com um pedacinho de canela e um dente de cravo, além de bastante cebola.

POLIDO O arroz do dia-a-dia não é dos mais nutritivos, mas ainda assim é fonte de carboidratos e proteínas, diz a cientista de alimentos Priscila Zaczuk Bassinello. Seu empobrecimento se deve à retirada da casca no beneficiamento, embora já existam nos supermercados versões enriquecidas com minerais como zinco e ferro.

PRIMO DISTANTE
O arroz selvagem, apesar do nome, não é um arroz de verdade, mas um tipo diferente de gramínea com menos amido. Trata-se de um grão preto muito longo e fino, com sabor adocicado, que lembra o de amêndoas, define Andréa Esquivel. Ele oferece boa quantidade de fibras e minerais, como o ferro, além de estar cheio de proteínas. Na culinária, combina com assados.


por Regina Célia Pereira
design Glenda Capdeville
fotos Dercílio