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Creche de Portugal
adota o vegetarianismo como dieta e ensina crianças a cuidar de uma
horta orgânica
Todo mundo sabe o quanto é importante adquirir hábitos
saudáveis de alimentação desde a infância para se ter boa saúde ao longo
da vida. Isso é o que acontece na cooperativa de ensino Vela Verde da
cidade de Alfragide, em Portugal, em que o ovo-lacto-vegetarianismo é
praticado.
Crianças entre 3 e 5 anos de idade aprendem a pôr a mesa, cuidar da
horta orgânica da cooperativa e, as vezes, chegam a
cozinhar.
"Consideramos
que não há recursos alimentares suficientes no mundo para se comer tanta
carne e tanto peixe. É bom que as crianças conheçam, desde pequenas,
alternativas que sejam tão válidas em termos nutritivos", explica Lusa
Margarida Zoccoli, mãe e uma das fundadoras da Vela Verde.
A creche da cooperativa, que funciona há 9 anos, surgiu com a
dificuldade que os pais enfrentavam para encontrar uma instituição que
tivesse uma filosofia de sustentabilidade.
Das 25 crianças que alí passam o dia, apenas uma é vegetariana. Mas
segundo Lusa, elas passam a adaptar-se aos legumes, verduras e aceitam,
sem problemas, a dieta vegetariana praticada.
"Eu
antigamente não gostava de couve, mas agora papo", conta João, de quatro
anos, durante o almoço, em que até repetiu a salada.
Na Vela Verde, a carne e o peixe são substituídos por
outras proteínas animais (ovos, leite e queijo), proteínas vegetais (tofu,
seitan e soja) e proteínas que se encontram nas leguminosas (feijão,
grão, lentilhas). Esta opção alimentar está também ligada a outros
aspectos pedagógicos articulados, diz Lusa.
Ali, cada ano letivo "começa do zero". No
jardim-de-infância as crianças já percebem que há coisas que é preciso
ajudar a fazer, então marcam num mapa as tarefas de cada um, como pôr a
mesa ou tratar da horta. "A aprendizagem das crianças é feita em
contexto real. Por exemplo, não é vamos brincar na horta, mas sim vamos
fazer uma horta", explica.
Dar continuidade em casa ao
que se passa dentro da sala de aula é um dos objetivos da comunicação
diária entre a escola e os pais, por e-mail, telefone ou através do
sumário do dia que os meninos ajudam a escrever e é afixado na porta da
sala.
A comunicação até passa pelo intercâmbio de receitas.
"Temos percebido que muitas famílias estão a adotar um regime alimentar
idêntico ao da escola. Ajudamos as pessoas a encontrarem alternativas
que não sabem onde estão", conclui Lusa.
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