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Redação Vida Vegetariana - por Gustavo Wenceslau
18/07/2007 - 12h48 
  Atualizado em 15/01/2008 - 07h59
  "Carne: indispensável ou perigosa" é tema de programa da Rede Record

 
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O programa Repórter Record, exibido às segundas-feiras pela Rede Record de Televisão, veiculou no dia 16/07/2007 e reprisou em 14/01/2008 uma reportagem especial: "Carne: indispensável ou perigosa". Confira os trechos mais importantes e os resumos de como foi esta edição do programa.

Logo no início do programa, o pugilista mundial Éder Jofre defende a idéia de que não é necessário o consumo de carnes para se ter boa saúde. "Por que matar um animal?", questionou Jofre.

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Todos os especialistas consultados pela reportagem foram unânimes em concordar com um estudo feito em Manchester: grávidas que consomem grandes quantidades de carne, têm altíssimas chances do bebê ter problemas de fertilidade na idade adulta. "Os hormônios femininos que são aplicados no gado para deixar a carne mais tenra, acabam por acarretar problemas de fertilidade em homens", disse a dra. Mariângela Maluf.

Dados
Segundo a reportagem, cada brasileiro consome em média 40kg de carne por ano. Uma família de cinco pessoas chega a consumir uma vaca por ano.

O caminho da carne até o prato
É lei no Brasil: o abate de bois deve ser "humanitário", ou seja, todo matadouro regularizado realiza o abate com o animal desacordado. Primeiro, é dado um disparo na testa do animal e em seguida o mesmo é erguido pela pata traseira e sagrado ainda vivo. É o bater do coração que faz com que todo o sangue jorre com força pelo local onde é feito o corte(geralmente no pescoço do animal).

O abate a marretada é proibido no Brasil, porém 50% dos abates são clandestinos em nosso país. Segundo a especialista consultada pela reportagem, enquanto o animal sofre os golpes de marretada, ele libera grandes quantidades de adrenalina na corrente sangüínea, alterando assim o PH da carne. A cor, a textura e o odor da carne podem determinar como aquele animal foi morto: de forma clandestina ou "humanitária".

Câmeras escondidas
Com o auxílio de micro-câmeras, a equipe de reportagem do programa circulou pela cidade de Moreno/PE em busca de um matadouro clandestino. Após muito tempo de busca, cabeças de boi em decomposição e muito sangue são encontrados no meio de uma rua. Era o matadouro clandestino da cidade.

O repórter conversou, sem se identificar, com o dono do local. Ele disse que são mortos a pauladas cerca de 50 bois por semana, ou 200 por mês. Após o abate, a carne é manipulada de forma extremamente precária e comercializada numa feira próxima ao matadouro clandestino.

O prefeito da cidade foi procurado pela equipe de reportagem da Record e enviou a secretária distrital para falar em seu lugar. A secretária disse duas versões do fato. Enquanto era entrevistada pelo repórter, disse a carne que os habitantes da cidade consumiam tinha origem de abatedouros certificados de cidades vizinhas a Moreno. Quando a câmera foi desligada a versão mudou: a secretária disse que ninguém poderia filmar o único matadouro clandestino da cidade, pois a carne era manipulada de forma ilegal e na cidade não há abatedouros certificados.

Família Schuwenck
Uma família em que todos são vegetarianos: desde Pedro, 7 anos, até seus avós que adotaram a dieta vegetariana por ser mais saudável e pela infinidade de pratos que é possível preparar com os alimentos vegetais.

Vitela
A repórter descreveu esta carne como sendo uma "produção explícita de crueldade". Bezerro são criados em espaços minúsculos onde só são alimentados com leite e antibióticos, pois devido a má alimentação, ficam desnutridos e podem acabar por adquirir alguma doença.

O que tem surgido em todo o mundo são as fazendas-fábricas: pensam só na superprodução, sem se preocuparem com o bem-estar dos animais.

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Porcos
São confinados e amontoados em pequenos espaços. As fêmeas dão cria amarradas e o abate de porcos funciona da seguinte maneira: primeiro recebem um choque na cabeça para ficarem levemente atordoados. Em seguida são sangrados e colocados em água fervente ainda vivos.

"Toda a adrenalina e aquela onde de energias ruins vão parar na carne durante o abate", disse o nutricionista vegetariano George Guimarães.

Galinhas
Confinadas e amontoadas em engradados minúsculos, os espaços onde vivem são iluminados 18 horas por dia para produzirem mais ovos.

Seus bicos são cortados para evitar o canibalismo devido ao estresse nas granjas. São alimentadas somente com uma ração enriquecida com hormônios. Uma galinha é morta em média com 45 dias de vida(tempo totalmente inferior para uma galinha ganhar tamanho de forma natural).

No abate, levam choques e têm seus pescoços cortados por uma serra.

China e Japão
Na China e no Japão é comum o consumo de carne de cachorro e baleia, respectivamente. Devido ao risco de extinção, a carne de baleia é caríssima.

Peixes
Principalmente os peixes de águas frias como por exemplo o salmão, são criados em condições artificiais. Segundo o nutricionista George Guimarães, todo peixe que é criado em cativeiro tem suas reservas de ômega 3 bem abaixo do normal. Ele indica o consumo de semente de linhaça para substituir o ômega 3 dos peixes, que também há o risco de contaminação das águas por dejetos de esgotos e metais pesados.

Gado orgânico
Este tipo de gado é criado em pasto aberto e livre de agrotóxicos. Os bois não apanham e não sofrem nenhum tipo de crueldade enquanto está vivo. Os únicos medicamentos usados são as vacinas, sendo hormônios e outras drogas sintéticas totalmente proibidos.


Considerações finais
O Vida Vegetariana parabeniza a Rede Record de Televisão pela matéria apresentada. Mostrando sempre os dois lados da história, sempre ambas as opiniões, sem sabatinar os vegetarianos, como acontece em outras emissoras brasileiras.

 


Confira as fotos da matéria


O pugilista mundial Éder Jofre


Pedro Schuwenck, 7 anos: nunca comeu carne. No cardápio só entra frutas, legumes, verduras e cereais.


Matadouro clandestino em Moreno/PE


A carne é levada do matadouro clandestino até uma feira próxima sem as mínimas condições de higiene


Matadouro clandestino em Moreno/PE


Porcos: criados amontoados e em espaços minúsculos