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Redação Vida Vegetariana
  01/02/2008 - 07h49
 
     

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Lula não acredita que agropecuária seja responsável pelo desmatamento da Amazônia; ministros discordam do presidente

Em entrevista a rádio CBN nesta quinta-feira(31/01/2008), o presidente da república Luis Inácio Lula da Silva disse não acreditar nos números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de que 7 mil quilômetros quadrados de mata foram derrubados entre agosto e dezembro de 2007, por conta do agronegócio.

Já a ministra do meio ambiente Marina Silva e o ministro do desenvolvimento agrário Guilherme Cassel declararam haver um problema de devastação na região amazônica, ligado ao agronegócio, e que isso precisa ser discutido.


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REPORTAGEM NA ÍNTEGRA:
Depois de divergir do ministro da agricultura Reinhold Stephanes a respeito da causa do desmatamento na Amazônia, a ministra do meio ambiente Marina Silva entrou agora em choque com o presidente da república. No mesmo dia em que Lula disse que é cedo para culpar a soja e o gado pelo avanço da devastação, Marina voltou a dizer que a agropecuária é responsável pelo problema.

Nesta quarta-feira, o presidente demonstrou desconfiança em relação aos números, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de que 7 mil quilômetros quadrados de mata foram derrubados entre agosto e dezembro do ano passado. Afirmou que é prematuro dizer que o agronegócio é culpado pelo desmatamento e reclamou do alarde feito em torno da notícia.

"É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais grave, ou seja, por enquanto, nós temos todas as condições de controlar, detectar e saber quem são as pessoas(...)."

Ao chegar de um sobrevôo sobre a Amazônia, a ministra do meio ambiente classificou a situação como preocupante e entrou em rota de colisão com o presidente Lula. Primeiro negou que tenha sido feito alarde desnecessário a respeito do caso, depois voltou a responsabilizar os agropecuaristas pelo aumento da devastação.

"Eu continuo não acreditando em coincidências. São regiões de dinâmica econômica significativa de atividade agropecuária e de exploração irregular de madeira. Isso é um fato."

O ministro do desenvolvimento agrário Guilherme Cassel engrossou o coro: "Existe, sim, sintomas importantes de desmatamento na região e existe um padrão. Começa com uma devastação predatória, a seguir vem a derrubada da floresta, depois pecuária e depois soja. Esse é um padrão. Existe e está lá. Não é dedução, basta olhar e ver."

Segundo o governo, a maior parte do desmatamento na Amazônia está concentrada em 36 municípios, localizados no Pará, Mato Grosso e Rondônia. Por ordem do presidente Lula, a ministra Marina Silva vai marcar uma reunião com os governadores dos três estados, para discutir medidas conjuntas que possam conter o avanço da derrubada da floresta.

De Brasília, Paulo Mário Martins.


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