| |
Lula não acredita que
agropecuária seja responsável pelo
desmatamento da Amazônia; ministros discordam do presidente
Em
entrevista a rádio CBN nesta quinta-feira(31/01/2008), o presidente da
república Luis Inácio Lula da Silva disse não acreditar nos números
divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de que 7 mil
quilômetros quadrados de mata foram derrubados entre agosto e dezembro de
2007, por conta do agronegócio.
Já a ministra do meio ambiente Marina Silva e o ministro do
desenvolvimento agrário Guilherme Cassel declararam haver um problema de
devastação na região amazônica, ligado ao agronegócio, e que isso precisa
ser discutido.
OUÇA TAMBÉM
Ouça a reportagem na íntegra
REPORTAGEM NA ÍNTEGRA:
Depois de divergir do ministro da agricultura Reinhold Stephanes a respeito
da causa do desmatamento na Amazônia, a ministra do meio ambiente Marina
Silva entrou agora em choque com o presidente da república. No mesmo dia
em que Lula disse que é cedo para culpar a soja e o gado pelo avanço da
devastação, Marina voltou a dizer que a agropecuária é responsável pelo
problema.
Nesta quarta-feira, o presidente demonstrou desconfiança em relação aos
números, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de que
7 mil quilômetros quadrados de mata foram derrubados entre agosto e
dezembro do ano passado. Afirmou que é prematuro dizer que o agronegócio é
culpado pelo desmatamento e reclamou do alarde feito em torno da notícia.
"É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais
grave, ou seja, por enquanto, nós temos todas as condições de controlar,
detectar e saber quem são as pessoas(...)."
Ao chegar de um sobrevôo sobre a Amazônia, a ministra do meio ambiente
classificou a situação como preocupante e entrou em rota de colisão com o
presidente Lula. Primeiro negou que tenha sido feito alarde desnecessário
a respeito do caso, depois voltou a responsabilizar os agropecuaristas
pelo aumento da devastação.
"Eu continuo não acreditando em coincidências. São regiões de dinâmica
econômica significativa de atividade agropecuária e de exploração
irregular de madeira. Isso é um fato."
O ministro do desenvolvimento agrário Guilherme Cassel engrossou o coro:
"Existe, sim, sintomas importantes de desmatamento na região e existe um
padrão. Começa com uma devastação predatória, a seguir vem a derrubada da
floresta, depois pecuária e depois soja. Esse é um padrão. Existe e está
lá. Não é dedução, basta olhar e ver."
Segundo o governo, a maior parte do desmatamento na Amazônia está
concentrada em 36 municípios, localizados no Pará, Mato Grosso e Rondônia.
Por ordem do presidente Lula, a ministra Marina Silva vai marcar uma
reunião com os governadores dos três estados, para discutir medidas
conjuntas que possam conter o avanço da derrubada da floresta.
De Brasília, Paulo Mário Martins.
OUÇA TAMBÉM
Ouça a reportagem na íntegra
|