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Sacrifício de animais
Sacrificar um coelho para
testar um xampu! Sacrificar
um ratinho para criar um
novo remédio! Um projeto de
lei reacende uma polêmica no
Rio de Janeiro: animais
devem ser usados como
cobaias em testes de
laboratório?
As imagens são chocantes.
Foram feitas com câmeras
escondidas, em laboratórios
estrangeiros, por defensores
dos direitos dos animais.
Fazem parte do documentário
"Não matarás - os animais e
os homens nos bastidores da
ciência".
Não é de hoje que este
assunto divide opiniões.
“Eu acho que realmente tem
que usar esses animais pra
esse fim, senão como vão
ficar nossas vacinas, o
controle de doenças, a
descoberta de doenças?”,
questiona uma mulher.
“Eu sou totalmente contra.
Eu acho que os animais não
têm nada com isso”, acredita
um rapaz.
Este mês, a Câmara dos
Vereadores do Rio aprovou um
projeto que proíbe qualquer
tipo de experiência com
bichos. O autor do projeto é
o ator e vereador do PFL
Cláudio Cavalcante.
“A lei foi baseada, sem
brincadeira, nos Dez
Mandamentos. Um dos
mandamentos diz ‘Não
Matarás’ - e também na minha
profunda convicção de que
nada de bom pode advir dessa
tortura”, pondera Cláudio
Cavalcante.
A comunidade científica
reagiu indignada. A Fundação
Oswaldo Cruz considera que o
projeto reflete uma visão
obscurantista e distorcida
do uso de animais.
Esta semana, o projeto de
lei foi vetado pelo prefeito
do Rio, César Maia. No
Instituto de Biomédica, na
Universidade Federal do Rio
de Janeiro, pesquisadores
utilizam cobaias em seus
estudos. Mas garantem que os
animais não são maltratados,
e que as pesquisas são
acompanhadas por comissões
de ética.
“Os pesquisadores têm que
submeter os seus projetos a
essa comissão, essa comissão
é formada por pesquisadores
e veterinários,
anestesistas, que vão julgar
se aquele projeto é
pertinente e se aqueles
animais estão sofrendo. Caso
isso aconteça esse projeto
não é aprovado”, explica
Mário Fiorani Júnior,
professor do Instituto de
Biofísica da UFRJ.
“Se essa lei estivesse em
vigor dez anos atrás, eu
acredito que a grande
maioria dos medicamentos das
prateleiras, algo superior a
90% não estaria acessível ao
consumo da população. Isso
inclui antibióticos,
antiinflamatórios, vacinas,
medicamentos anti-Aids,
enfim, toda gama de
medicamentos que a população
consome”, observa Roberto
Lent, professor do Instituto
de Ciências Biomédicas da
UFRJ.
Nina Rosa Jacob dirige uma
entidade que combate o uso
de animais em pesquisas - a
mesma entidade que está
divulgando o documentário
que mostra o sofrimento das
cobaias.
“O que é feito nos
laboratórios não é revelado.
Com certeza se fosse
revelado a sociedade inteira
ia se levantar e ser contra
esses experimentos”,
acredita a ativista.
Em alguns casos, a pressão
dos defensores dos animais
está surtindo efeito. No
mundo inteiro, a indústria
de cosméticos está
diminuindo muito o uso de
cobaias. Há seis anos, uma
grande indústria do Paraná
decidiu investir mais em
tecnologia e trocar os
animais por pessoas
voluntárias.
“O estudo em humanos, em
grupo pequeno ou no painel
completo, sempre é submetido
a um comitê de ética que vai
analisar os dados prévios
que são disponíveis”, afirma
Israel Feferman, diretor de
pesquisa.
Para o ambientalista Denner
Giovanini, a luta em defesa
dos animais tem que ser
constante. Mas nessa luta,
diz ele, uma arma é
fundamental: o bom senso.
“É importante que se
reconheça que existem
doenças que infelizmente
para que sejam pesquisadas e
para que seja encontrada sua
cura sejam utilizados esses
animais”, pondera Dener.
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