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Lei restringe uso de animais em pesquisa

da
Folha de S.Paulo -
AFRA BALAZINA/RENATA BAPTISTA
Uma lei publicada ontem
(26/08/2005) no "Diário Oficial"
do Estado de São Paulo restringe
o uso de animais em pesquisas e
determina que se dê prioridade a
métodos alternativos, que
substituam os bichos.
Ela define que o número de
animais a serem utilizados para
a execução de um projeto e o
tempo de duração de cada
experimento será o mínimo
indispensável para produzir o
resultado --sem especificar uma
quantidade máxima.
A lei determina ainda a criação
de comissões de ética nas
instituições que utilizam
animais em pesquisas. Hoje,
nenhuma delas é obrigada a ter
esse tipo de comissão no Estado
de São Paulo.
A lei precisa ser regulamentada
num prazo de 180 dias e entra em
vigor 45 dias após sua
publicação. O governador Geraldo
Alckmin (PSDB-SP) vetou a lei
neste ano, mas seu veto foi
derrubado. Agora, o governo
estadual precisa definir uma
série de pontos da lei.
Para o seu autor, o deputado
estadual Ricardo Tripoli (PSDB),
o código cria uma linha de
conduta para tratar os animais e
foi amplamente negociado.
De acordo com o professor de
direito ambiental da PUC-SP
(Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo) Márcio
Cammarosano, como é impossível
determinar o número mínimo de
animais a serem usados em cada
experimento, já que uma pesquisa
é muito diferente da outra,
deve-se usar a racionalidade
para determinar a quantidade
necessária.
"Aqueles que acompanham o
procedimento devem avisar o
Ministério Público ou alguma
autoridade se notarem que o
pesquisador cometeu abuso",
afirmou.
A utilização de animais em
experiências e no ensino é
polêmica em São Paulo. Em julho,
foi realizada uma manifestação
por várias ONGs (organizações
não-governamentais) e
ambientalistas contra o uso de
animais. A passeata começou na
avenida Paulista e terminou em
frente à Santa Casa, em Santa
Cecília (região central).
Nicolau Sevcenko, professor de
história da cultura da USP,
considera a lei um avanço em
relação à situação "medieval" de
completa indiferença aos animais
que vivemos hoje. "Mas ainda
está anos-luz do estágio de
discussão de desenvolvimento de
tecnologias alternativas
realizada em países de primeiro
mundo."
Segundo ele, as considerações
sobre o que são maus-tratos
ficaram vagas e o ideal seria a
lei determinar um cronograma
para chegar à completa
eliminação do uso de animais em
pesquisas.
"O Brasil já deu o péssimo
exemplo de ser o último país a
abolir a escravidão. Seria de
lastimar que fosse também o
último a incorporar os
princípios de respeito à
natureza e às criaturas vivas",
afirmou.
Universidades
A Unicamp, a USP e a Unesp já
possuem comissões de ética para
avaliar as pesquisas que
utilizarão animais. Segundo a
presidente da comissão de ética
da Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas), Ana Maria
Guaraldo, quando há
possibilidade de substituir o
uso de animais, o pesquisador é
orientado a utilizar métodos
alternativos. A comissão também
pede, quando necessário, a
revisão do número de animais que
se pretende usar.
No ensino, segundo ela, hoje em
dia poucos animais vivos são
usados. "Utilizamos vídeos ou
softwares para que os alunos
possam aprender de outras
formas."
A presidente da comissão de
bioética da Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia
da USP, Júlia Matera, disse que
ainda há áreas em que não é
possível substituir o animal,
como nos estudos de medicina
preventiva para raiva. Mas ela
disse que também se usam ratos
mecânicos e cadáveres
preservados.
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