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Canadá modificará
caça de focas para reduzir crueldade
O Governo canadense anunciou hoje(10/03/2008)
que estabelecerá novas medidas para que a caça de focas seja menos cruel
e evitar que os países europeus imponham o embargo à importação de
peles desses animais.
As autoridades canadenses também informaram que este ano será permitida
a caça de 275 mil focas harpa, das quais 4.950 serão destinadas aos caçadores
indígenas.
No ano passado, o país autorizou a caça
de 270 mil focas.
Segundo o Ministério de Pesca canadense,
"o Governo adotou medidas para garantir que a caça continue sendo
realizada de uma forma humana, adotando recomendações do Grupo
Independente de Trabalho de Veterinários".
As autoridades canadenses não
especificaram os detalhes das medidas, mas o jornal "The Globe and
Mail" informou hoje que as novas normas obrigarão os caçadores a
cortar as artérias dos animais para assegurar que eles morram de forma rápida
e reduzir, assim, seu sofrimento.
Em dezembro do ano passado, o Painel de
Saúde e Bem-estar Animal da Autoridade Européia de Segurança Alimentar
(EFSA) divulgou os resultados de um estudo que tinha como objetivo avaliar
se as focas poderiam ser mortas de forma rápida e efetiva sem que
sentissem dor, medo e outros tipos de sofrimento evitáveis.
Os cientistas europeus concluíram que há
formas de evitar o sofrimento, mas na prática nem sempre são aplicadas e
esses animais morrem de forma lenta e agonizante.
Organizações de defesa dos direitos
animais aproveitam todos os anos a abertura da temporada de caça de focas
no litoral atlântico canadense para protestar contra a prática, que
consideram desumana e injustificada.
O estudo da EFSA será uma da peças básicas
que os países da União Européia (UE) utilizarão para decidir, no final
deste mês, se proibirão a importação de peles de focas, o que poderia
destruir a caça comercial canadense.
As novas medidas adotadas pelo Canadá
para caçar focas se aproximam das recomendadas pelos cientistas europeus.
Nos últimos anos, o Canadá lançou
intensas campanhas de relações públicas na Europa para combater o que
qualifica como "indústria de protestos" e o insaciável apetite
das organizações ambientalistas para arrecadar dinheiro.
Até agora, os caçadores canadenses eram
obrigados a comprovar que as focas estavam mortas antes de despelá-las,
tocando os olhos do animal para observar algum tipo de reação. Mas este
método em muitas ocasiões não pode ser usado pelas condições nas
quais a caça é realizada.
Apesar disso, o Governo canadense afirma
que 98% das focas são mortas sem crueldade.
No entanto, estudos da organização IFAW,
que protesta contra a caça de focas desde meados dos anos 60, indicam que
até 42% dos animais mortos "provavelmente estavam conscientes quando
foram despelados".
O ministro de Pesca canadense, Loyola
Hearn, também afirmou em comunicado que o Canadá começou a avaliar o
tamanho da população de focas harpa, antecipando a contagem em um ano.
As organizações ambientalistas
advertiram no passado que o nível de caça permitido pelo Canadá (cerca
de 1.270.000 exemplares nos últimos quatro anos) pode ter conseqüências
catastróficas para a espécie perante os efeitos do aquecimento global.
As focas harpa usam os gelos flutuantes
do Atlântico para dar à luz suas crias, mas nos últimos anos as más
condições do gelo no litoral atlântico canadense se traduziram em uma
elevada mortalidade das mesmas, que constituem o grosso da caça canadense
de focas.
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