A famosa dieta vegetariana, rica em fibras e livre de qualquer tipo de
gordura animal, reduz de forma significativa o nível de colesterol ruim (LDL)
no sangue. Pesquisa publicada ontem no Jornal da Associação Médica
Americana (Jama) revelou que esse tipo de alimentação é capaz de diminuir
a taxa de LDL com praticamente a mesma eficácia de algumas estatinas,
medicamentos utilizados para controlar quantidades elevadas da substância.
Segundo o estudo, a redução do colesterol entre as pessoas vegetarianas
foi de 29%, enquanto que os pacientes que usaram o remédio conseguiram uma
diminuição de 31%. Em um terceiro grupo, que aderiu a uma dieta com pouca
quantidade de gordura, a taxa decresceu apenas 8%.
“O resultado obtido pelos vegetarianos é explicado pela forte presença
de frutas, legumes e verduras na dieta (ricos em antioxidantes) e pela
ausência de gordura animal”, afirma o nutrólogo Daniel Magnoni, do
Hospital do Coração (HCor). Segundo o médico, a placa de gordura só se
deposita na parede das artérias quando o LDL é oxidado. “Por isso é tão
importante consumir substâncias antioxidantes”, diz.
Levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em
20 cidades, incluindo São Paulo, constatou que 40% da população tem nível
de colesterol entre 200 e 240 miligramas por decilitro. O ideal é não
ultrapassar 200mg/dl. “Apesar de estar acima do recomendado, esse
percentual de brasileiros é o que mais pode se beneficiar da dieta como
tratamento”, garante Marcus Bolivar Malachias, coordenador do Selo SBC/Funcor
de Qualidade de Alimentos.
Segundo ele, uma alimentação controlada é capaz de reduzir pelo menos
30% do colesterol, pois o restante é produzido pelo fígado. Mas, de acordo
com Magnoni, apesar do bom resultado do estudo americano em relação à
dieta, as pessoas não devem deixar de comer carne de uma hora para outra
sem substituir por outra fonte de proteína.
O nutricionista George Guimarães, da Nutriveg Consultoria, explica que
o vegetarianismo causa problemas ao organismo apenas quando mal usado.
“Não existe nada de tão essencial à saúde humana que não possa ser
encontrado nos vegetais. É só saber quanto deve ser consumido”, garante.
Os vegetarianos são divididos em três categorias: os
ovo-lacto-vegetarianos, que consomem ovos e laticínios; os
lacto-vegetarianos, que ingerem laticínios e os vegetarianos puros, que
não comem qualquer produto de origem animal, inclusive mel. Para o
nutricionista, é possível substituir a proteína da carne com produtos à
base de soja. “Os vegetarianos precisam ficar atentos para o consumo
adequado de ferro, vitamina B12 e cálcio, nutrientes que estão presentes
nos alimentos de origem animal”, conclui.